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Vacina contra coronavírus testada em humanos gera resposta imunológica e é segura, diz empresa

Níveis dos anticorpos das primeiras oito pessoas testadas foram semelhantes aos das amostras de sangue das que se recuperaram da Covid-19

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MCEARA.COM2020.05.18 23 06 48 001

Em velocidade sem precedentes na história e numa boa notícia em meio à pandemia, os primeiros resultados do teste em seres humanos de uma vacina genética contra o coronavírus foram anunciados ontem nos EUA. A empresa de biotecnologia Moderna afirmou que oito voluntários vacinados desenvolveram defesas contra a Covid-19 e que o imunizante se mostrou seguro.

Segundo o site O Globo, embora o teste seja pequeno, marca o início do desenvolvimento de uma vacina, única forma de controlar a pandemia de Covid-19, além do distanciamento social. Uma vacina pode não só controlar o vírus como dar segurança à economia ao promover a chamada “imunidade de rebanho”, quando pelo menos 65% da população estão imunizados e o coronavírus não pode mais se espalhar. Pelo menos outras oito vacinas devem apresentar resultados de testes até o fim de junho.

A Moderna afirmou, em comunicado, que poderia ter um imunizante pronto para a produção ainda no fim do ano, mas não forneceu detalhes sobre os testes nem sobre o produto.

Sua vacina é especial não só por ser a primeira a chegar na fase de estudo em humanos quanto por ser feita de mRNA, uma tecnologia genética considerada extremamente segura, barata e simples de fazer. Porém, não existe ainda uma vacina licenciada com essa tecnologia, e o coronavírus será o seu batismo de fogo.

Akira Homma, assessor científico sênior de Bio-Manguinhos/Fiocruz e um dos maiores especialistas em vacinas do Brasil, se diz cautelosamente otimista.

— Essa é uma notícia que todos queríamos ouvir. Vejo com muita simpatia, mas com cautela —afirma.

Vacinas como essa se baseiam na inoculação do chamado RNA mensageiro do próprio vírus, sintetizado por meio de engenharia genética. Como somente um trecho específico do RNA viral é injetado, a pessoa recebe material genético do vírus, mas não desenvolve a doença.

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Esse RNA tem instruções para que as células produzam proteínas específicas do coronavírus. No caso, cópias da proteína S, ou espícula. Ela é a “chave” que o Sars-CoV-2 usa para invadir as células humanas.

As proteínas são “exibidas” ao sistema imunológico, que então produz anticorpos em resposta. Em tese, se a pessoa for infectada, terá anticorpos de prontidão para repelir o coronavírus e não adoecerá.

Seis boas candidatas

A vacina da Moderna é uma das seis consideradas mais promissoras entre as 110 em desenvolvimento no mundo atualmente, segundo análise de especialistas de biotecnologia feita para o Morgan Stanley.

Elas são bem avaliadas tanto em relação à chance de sucesso clínico quanto à possibilidade de serem produzidas em larga escala.

Além da Moderna, estão na seleção os candidatos a imunizantes de Pfizer/BioNTech, AstraZeneca/Universidade de Oxford, CanSino, Johnson&Johnson e Sanofi/GSK. As quatro primeiras, de acordo com os analistas, poderiam começar a ser produzidas até o fim deste ano. E as duas últimas, em meados de 2021.

O que se sabe sobre a vacina da Moderna é que foi testada em oito voluntários e todos eles teriam produzido anticorpos. A empresa diz que foram identificados anticorpos neutralizantes, aqueles que podem de fato impedir que o coronavírus infecte células humanas e cause a Covid-19.

O primeiro objetivo do teste, de fase 1, era mostrar a segurança da vacina. Porém, a eficiência do imunizante também já ficou demonstrada nesta fase, segundo o informe da companhia — na verdade, um boletim interno.

Diz a Moderna que o imunizante é seguro e que não houve reações adversas. Só um voluntário teve uma pequena inflamação num braço, no local da injeção.

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Somente as doses baixa e média do imunizante (25 e 100 microgramas) foram experimentadas, no entanto. A dose alta não foi testada — a Moderna alegou que isso não foi necessário porque a vacina se mostrou potente nas doses mais baixas.

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A eficiência foi avaliada em fases posteriores. Como não se poderia infectar os voluntários com o próprio Sars-CoV-2, a eficácia da vacina foi avaliada, indiretamente, de três formas.

Primeiro, os anticorpos dos voluntários foram testados em células humanas infectadas pelo Sars-CoV-2 in vitro, e impediram a replicação do vírus. Isto é, mostraram-se competentes em laboratório para impedir a infecção.

Além disso, os anticorpos foram injetados em animais (roedores) infectados com o Sars-CoV-2 e impediram que o vírus infectasse suas células e se multiplicasse.

Dúvidas

Mas ninguém sabe ainda qual a quantidade de anticorpos que uma pessoa precisa ter para se tornar imune ao coronavírus.

Por fim, então, a Moderna disse que os níveis dos chamados anticorpos neutralizantes extraídos dos voluntários vacinados correspondiam aos encontrados em pacientes que se recuperaram após contrair Covid-19 grave.

A Moderna informou que segue um cronograma acelerado de pesquisa.

A segunda fase de testes deve começar nas próximas semanas, com 600 pessoas. A terceira e última fase, segundo a CEO Stéphane Bancel, está prevista para julho e contará com milhares de voluntários.

Em fevereiro, a empresa já havia se tornado o primeiro laboratório a anunciar ter o protótipo de uma vacina para evitar a Covid-19.

O anúncio de ontem teve impacto positivo quase imediato na economia — em especial, para a própria Moderna, cujas ações subiram 40% nos EUA.

O diretor médico da companhia, Tal Zaks, disse que ainda não se sabe quantas doses da vacina a empresa poderá produzir num primeiro momento, caso todos os testes tenham sucesso, mas assegurou que seriam milhões.

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